Por Dr. Rodrigo Ubukata
Os tumores de mama estão entre os mais frequentes na rotina oncológica em nosso país. Não existem dados estatísticos de quanto correspondem pois não há ainda um programa de registro nacional do câncer em animais e por isso, apenas existem estudos regionais publicados.
Cadelas e gatas podem apresentar tumores de mama. Estudos internacionais apontam que 50% dos tumores em cadelas são malignos enquanto em gatas, este número pode chegar até 80%. Apesar de comum em fêmeas, não se pode ignorar a possibilidade da ocorrência em machos.
Durante décadas, um dos principais fatores de risco para tumores de mama era relacionado ao seu “status” reprodutivo, sendo que a castração precoce era a maior indicação para sua prevenção. Isso ainda não deixa de ser verdade até porque historicamente, em países com rígido controle populacional, os tumores de mama são bem menos comuns que no Brasil. Entretanto, novos estudos com metanálise vem demonstrando alguns questionamentos sobre o quanto é essa prevenção (que ainda é alta, mas talvez não na mesma proporção do que foi descrito na década de 60), idade ideal e considerando também as consequências para outras afecções, principalmente porque em alguns indivíduos, essa castração está sendo realizada precoce demais.
O câncer é uma doença multifatorial. Não existe apenas uma causa envolvida. No câncer de mama não é diferente. Apesar de comumente o instinto humano querer “achar um culpado”, além da não castração, fatores genéticos / moleculares têm um grande papel, assim como fatores externos / ambientais. Atualmente, um dos grandes fatores de risco é a obesidade, que também aumenta o risco para outros tumores além dos mamários e outras doenças como ortopédicas, endócrinas, hepáticas, etc.
A Medicina Veterinária mundialmente mudou. Desenvolveu-se e evoluiu. No Brasil isso não foi diferente. Apesar de termos algumas limitações tecnológicas já disponibilizadas em países chamados de desenvolvidos, em termos de conhecimento, o Brasil tem o mesmo nível. Quando falamos em tumores de mama, posso arriscar a dizer que somos o país com maiores estudos realizados e publicados no mundo. De norte a sul do país temos pesquisadores dedicados a esta área e que poderia ser maior, se houvessem mais investimentos e estímulos à pesquisa. Neste ano, durante o principal Congresso de Oncologia Veterinária que ocorre anualmente nos Estados Unidos, houve um painel de discussão sobre neoplasias mamárias que reuniu pesquisadores das áreas de clínica, cirurgia e patologia em oncologia. O Brasil foi muito bem representado pelo Prof Dr Geovanni Dantas Cassali da UFMG, pesquisador em patologia mamária há mais de 1 década e idealizador dos Consensos Brasileiros em Neoplasia Mamária de Cadelas e Gatas que se encontram publicados no Brazilian Journal of Veterinary Pathology, do qual já tive a honra de participar como um dos autores.
Ainda muito se discute sobre técnicas de diagnóstico e tratamento da doença. Esse é o objetivo dos consensos. Criar uma diretriz para ajudar os profissionais a como agir de forma adequada. Nada ainda é uma regra, mas nesses anos, informações estão sendo coletadas e estudos realizados e reunidos para concluir o que de fato, cada descoberta pode contribuir na prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Acredito que muito do que se fala em oncologia veterinária geral, vá ser aplicado também em tumores mamários: a chamada Medicina de Precisão, ou seja, ter informações e pesquisas realizadas que comprovem as eficácias, mas personalizar o tratamento para cada indivíduo.
Os responsáveis (agora não podemos utilizar tutores como recomendação do CFMV) possuem papel fundamental na detecção dos tumores de mama. Assim como no ser humano, o “autoexame” é nosso principal ponto de partida. Qualquer aumento de volume, nódulo, mama inflamada, secreção anormal, dor deve ser um alerta e imediatamente procurar um médico veterinário. O diagnóstico precoce e a correta abordagem serão as melhores formas de controle e sobrevida dos pacientes. Um alerta que devemos deixar é: Nunca espere para ver se cresce! Quanto maior o tumor, pior pode ser depois para tratar e consequentemente, pode afetar o prognóstico. Não deduzir diagnósticos sem uma correta avaliação e com exames adequados. Nem todo nódulo é um câncer, mas também nem todo nódulo é apenas um “lipoma” (nódulo de gordura). Todo tumor, um dia começaram pequeno.
O Outubro Rosa é uma ação social com imenso impacto na Medicina para alertar sobre o risco dos tumores de mama em mulheres. Essa conscientização favoreceu em muito a melhora dos resultados que hoje são observados quanto ao diagnóstico precoce, prevenção e tratamentos. Por causa do isolamento durante a pandemia, inclusive observou-se piora dos índices em tumores de mama por falta dessas ações.
A inspiração e o resultado dessa campanha foram os exemplos para ele na Medicina Veterinária, criando o Outubro Rosa Pet que a cada ano, ganha mais força. Isso tem ajudado a trazer informações e formas para que os responsáveis entendam a doença e diagnostiquem precocemente. Ainda é um
movimento pequeno comparado com o que ocorre nas campanhas para mulheres (que recebem diversos apoios de órgãos governamentais e empresas do setor privado), mas apesar de serem ações menores e muitas vezes individualizadas, elas ocorrem em todo o país e a Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (ABROVET) apoia e incentiva essas campanhas os anos, reunindo informações de onde ocorrerão para colaborar na divulgação.
Prevenir, diagnosticar e tratar o câncer de mama não deve ser apenas uma ação da Medicina Veterinária e sim, estar no contexto da Saúde Única que somos parte. Tratar um animal é tratar uma pessoa / família também.
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